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Queda no preço do milho desanima a safrinha em MS 08 de Março de 2010 |
Henrique de Matos do Diário MS Online
A safra de soja está em colheita em Mato Grosso do Sul. A hora, agora, é de iniciar o plantio do milho safrinha. No entanto, a desvalorização do milho e os prejuízos acumulados de anos passados estão fazendo muitos agricultores mudar de ideia e desistir da cultura. Pelo último levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a redução da área plantada com milho safrinha em Mato Grosso do Sul pode chegar a 9%. Em todo o país, a estimativa é de queda de 3,4%.
Conforme o engenheiro agrônomo Ângelo Ximenes, a queda na cotação do milho tem desanimado os produtores da região da Grande Dourados, que, após anos de sucessivas quebras, estão preferindo investir em outras culturas de inverno, como a aveia e a braquiária. Na safra passada, foram cultivados 70 mil hectares de milho em Dourados. Neste ano, a expectativa é de que haja uma diminuição da área de plantio com a cultura no município. “O preço tem desanimado e muito os produtores que costumeiramente optavam pelo plantio do milho safrinha. Hoje, a saca de 60 quilos está sendo comercializada entre R$ 12 e R$ 13. No pico da safra, a tendência é que o preço caia ainda mais. Por isso, financeiramente não compensa investir no milho. Muitos produtores estão recorrendo à aveia e a braquiária”, relatou.
Além da desvalorização do milho, especialistas apontam o encarecimento de alguns insumos como outro fator de cautela para os produtores que pretendem investir no milho safrinha.
Em Mato Grosso do Sul, a compra de sementes representou 21% dos custos do agricultor que optou pelo milho safrinha, ficando em R$ 192,00 por hectare. Esse valor representa um incremento de custo de 23%, se comparado com a safra 2008/2009. No entanto, houve uma queda no preço do adubo, que em média está 25% mais barato que no ano passado.
O custo total para o plantio do milho safrinha está 7% menor do que no ano passado. O problema é que o preço pago pela saca de 60 quilos está na casa dos R$ 12,00. No ano passado, o pico atingiu os R$ 18. Para compensar o investimento, o produtor teria que colher pelo menos 64 sacas por hectare.
Na região da Grande Dourados, a falta de interesse dos agricultores também já reflete nas lojas especializadas nas vendas de insumos. Conforme Sérgio Miranda, gerente de uma revenda de produtos agrícolas em Dourados, o movimento e o volume de venda está bem abaixo do esperado. “A procura tem sido pequena, já que o produtor está bem mais cauteloso. A queda na cotação do milho e as quebras anteriores deixam o agricultor desarmado”, comentou. |
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